Aterrissei em Köln, passei por Bonn, e há quatro dias me encontro em Münster, no estado da Renânia do Norte-Vestfália, noroeste da Alemanha.
Afirmo que durante o procedimento de aterrissagem do Iberia "jaquirana" Airlines ventava como em Osório, e nem sempre soube em que direção se alinhava a pista. Prendi a vista no teto, e pensei se algum dia veria aquelas máscaras caírem... A questão é que pouco antes de embarcar no botecão (aeroporto Tom Jobim), assissti o FightClub, e me surpreendeu a "tese" do Brad Pitt de que daquelas máscaras, em caso de emergência, sairia um gás que te deixaria loucão, cool. Afinal de contas, sob forte tensão no pájaro gigante, oxigênio não ajudaria bulhufas.
Mas de ré avião não pousa, menos mal. Pese aos gritos de "piloto inexperiente" de um espanhol histérico, e sob chuva, ventania e raios, chegamos bem (ya estamos, ya estamos, dizia outro espanhol).
Anteontem nevou forte aqui em Münster. A neve, na verdade, é o que embeleza e ilumina o inverno desta terra de amanhecer anoitecido. Aclara a paisagem escura, e pinta aquela atmosfera natalina no país onde o Pai Noel vem para todos. Quase todos. Terça-feira nevou, e foi o caos. Para os alemães, condição climática não os impede de seguir o plano do dia. Nós também seguimos a agenda, preterimos das bicicletas, e decidimos ir de Bus. O trânsito estava tartaruguesco, os autos deslizavam que nem nas estradas de barro lá da Linha Lavina. Lá pela metade do caminho, o bus não descolou mais do cordão da calçada numa das paradas. O motorista ia pra frente e pra trás (e nós também!), girava todo o volante pra esquerda e nichts! Assim ficamos uns quinze minutos até que todos apeamos do ônibus. Não era preciso nem chamar o pai (que sabe tudo de roda) para sacar que o motorista não devia girar TODO o volante pra esquerda, senão que só um pouquinho, de maneira que a máquina avançaria tranquilamente. Eu não me atrevi a dizer nada, o chofer era um daqueles asiáticos do sul, com cara de comunista discípulo de Ho Chi Minh e devorador de arroz. Então, uma teuta ideota resolveu tentar empurrar o ônibus, de lado mesmo, para o meio da pista. Dois rapazes e eu nos assomamos à guria, firmamos as mãos na lateral da lataria do ônibus-sanfona e metemos calandro. Tchê, creiam-me, arremessamos (tá, deslizamos, escorregamos) o bus de quatro eixos para o meio da rua. Me senti um heroi, meio Super Man, meio Homem Codorna. A plateia germânica aplaudiu - afinal de contas, a ordem se restabelecia novamente - e seguimos o curso. (Depois o chofer "cara de ator coadjuvante do Platoon" deixou o ônibus empacar de novo! Daí descemos e fomos a pé).
Por fim, chegamos no Weihnachtsmarkt (Mercado de Natal, típico nessa época do ano) e fomos direto tomar um Glühwein (quentão) e comer Wurst (salsicha), porque empurrar ônibus no primeiro mundo dá muito mais fome do que de costume.
Ontem, ainda que o dia tenha sido ensolarado, as temperaturas se mantiveram negativas. Descobri então mais um prazer nessa vida: sopa de ervilha. Aquela sopa verde, sabrosa, que vendem no mercado por dois euros... empurraria quantos ônibus fossem necessários, empurraria até o teco-teco da Iberia se necessário, sob chuva, comendo neve. Não consigo esquecê-la... Simples e gostosa, como deverá ser a vida.
o jeito que tu escreves é como se eu, leitora, estivesse presente.
ResponderExcluirboa essa ideia que teves em criar esse blog e escrever a tua situação, bem melhor do que eu te estorvando com e-mails para querer notícias, hehehe.
isso aí primão. livin la vida loca
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirHaha, é um poeta cômico motheréferr!...
ResponderExcluirUm Monty Phyton germano-rio-grandense...
Seguirei com com afinco teus pronunciamentos, homem codorna...Adios..